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sábado, 15 de maio de 2010

Como é grande o meu amor por você!


Minha filha,
Após o primeiro toque, eu ainda não podia te tocar com frequencia. Então, ia todos os dias cantar pra você. Cantava muito, rezava muito, e ficava ali tentando fazer com que de alguma forma você percebesse minha presença ali.
Esquecia o incomodo da cirurgia, deixava pra quando chegasse em casa ficar encolhidinha para a dor passar. Mas enquanto estivessemos juntas, me esfoçava para que você tivesse apenas o melhor de mim.
Me segurava muitas vezes para não chorar. Quero sorrir pra você, quero mostrar pra você que a felicidade te espera e que a dor é apenas passageira.
Quero te mostrar que estou do seu lado para o que der e vier.
Mamãe tem colocado suas fotos para os amigos verem desde que você nasceu. E por isso recebe muitas mensagens de carinho, muitas orações, muitas pessoas pedindo muito a Deus que ele faça o melhor em sua vida.
A mãe não sabe rezar muito bem. A mãe passou a vida achando que apenas sendo uma boa pessoa e não fazendo o mal poderia estar mais perto de Deus. Sempre O tratou com tanta intimidade que só o chamava de Pai.


E diante do seu nascimento, meu amor, a mãe se perguntou porque. Porque Deus havia colocado tanto sofrimento para um anjo tão pequenino como você e para tantos outros anjos que ela conheceu na UTI. E ela, que não ia quase nunca à igreja, passou a ir com mais frequência se perguntando se era isso que faltava. Buscando uma resposta.
E ela descobriu que respostas não existem. E ela passou a ter tamanha fé em um Deus que pode TUDO, que pode até o impossível, o inimaginável, imagina aquilo que a mãe pudesse imaginar.
Ah meu amor, e o que a mãe imagina pra você é o melhor do mundo. A mãe imagina você correndo e brincando, como qualquer outra criança. E ela acredita tanto que você sairá bem dessa que pediu ao vô que montasse seu berço, arrumou o seu quarto, deixou tudo empacotado para proteger da poeira apenas esperando você chegar.


E cada vez que ouvia dos médicos que seu caso era grave, a mãe apenas acreditava que era pra mostrar que você é mais guerreira ainda.
A mãe promete te amar tanto e de tal maneira que nada nesse mundo irá abalar esse amor.

A mãe também tem recebido muitas críticas por te fotografar e mostrar na internet. E quer saber, a mãe não dá ouvidos para isso.
Porque na internet só tem lugar para bebês rosados nascidos de 9 meses? Meu amor, você é LINDA demais. É linda assim, do jeitinho que você é. É assim que Papai do Céu deu você pra mim e independente do que acontece a mãe irá te amar imensamente. E nunca terá vergonha ou esconderá você. O mundo te pertence e nele você será feliz.
Hoje, somos sapinhos surdos, como na fábula, numa corrida desenfreada para a felicidade.



quarta-feira, 12 de maio de 2010

O aniversário da minha mãe - nosso primeiro toque

Eu tinha dez dias de nascida. E minha mãe completava 29 anos. Era um dia frio e chuvoso. De presente de aniversário pediu a todos que orassem por mim. Minha mãe fez a revisão com a obstetra, a pressão ainda alta. Meu pai não poderia ir com ela nesse dia a UTI, pois estava trabalhando, e meu avô então deixou minha mãe na porta do hospital. Minha mãe subiu e ficou comigo. Foi quando a enfermeira perguntou se minha mãe queria me tocar pela primeira vez. Apenas 10 segundos. Ela colocou uma mão no meu braço e outra por sobre minha cabeça. Inacreditável a emoção deste toque. Ela sentiu minha pele, bem de leve. Era muito fina e sensível. Ao tocar meu cabelo parecia tocar uma nuvem, de tão suave.  E assim nos tocamos pela primeira vez. Muito rapidamente, mas já sabíamos que teríamos todo sempre pra ficar juntas. E que a cada dia que precisássemos ficar afastadas seria apenas uma vírgula entre nós.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Visita dos Avós

Eu e minha avó

Eu e meu avô

Eu e minha mãe

No dia 11 de maio meus avós vieram me ver pela segunda vez. Da primeira vez que estiveram aqui minha mãe ainda estava internada, mas desta vez ela pode ficar junto. Entrou um de cada vez e podiam ficar apenas 5 minutos. Minha mãe os fotografou comigo e meu avô tirou a primeira foto minha e de minha mãe juntas.
Após esse dia as visitas dos avós foram suspensas e apenas meu pai e minha mãe podiam entrar na UTI para me ver.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Porque nasci prematura



No início de dezembro de 2009, minha mãe começou a sentir muitas dores de estômago, seguido de muito vômito. Devido a força que precisava fazer para vomitar, ela ficou com o rosto cheio de hematomas. Foi ao médico e foi internada para fazer uma endoscopia. Ao fazer uma ultrassom, me descobriu. Em 8 de dezembro de 2009, eu tinha apenas 6 semanas e já estava fazendo barulho. Minha mãe recebeu alta e uma pilha de exames para fazer. Ao procurar o obstetra e falar dos vômitos, foi informada que era comum na gravidez e que precisava apenas tomar muita água.

Os vômitos não cessaram. E em fevereiro de 2010 a pressão da minha mãe já estava mais alta. Então, começou com dieta sem sal, e mais água. Em março, a pressão ainda não baixou, e veio o inchaço. Foi então passado remédio de pressão, mais dieta e mais água. Os vômitos eram muito frequentes chegando a fazer ânsia durante todo o dia e até dormindo. Em abril o inchaço foi muito maior. A pressão subiu muito, chegando a 23 x 19 e veio então o encaminhamento ao cardiologista. Lá, o cardiologista falou que tinha que tratar a mãe como paciente, não o bebê, e passou então dose máxima de remédio de pressão e diurético. Foi quando minha mãe procurou outra médica.

Minha mãe foi então internada e eu com 26 semanas de gestação. A pressão da minha mãe não baixava,  mesmo com altas doses de medicamentos. Ao realizar exames, a médica detectou diabetes gestacional, lesão hepática, falência renal, baixa contagem de plaquetas. A pré-eclampsia havia evoluído para a Síndrome de Hellp.

Quando a médica falou que precisava fazer o parto, minha mãe não conseguia ouvir mais nada. Meu pai e meu avô eram os únicos que sabiam da gravidade da minha mãe, e preferiram não contar a ninguém para não deixá-la mais nervosa. Minha mãe tinha medo que eu morresse em sua barriga. E foi então que foi feita a cesária, às 10h52 do dia 2 de maio de 2010.

A pré-eclampsia e síndrome de hellp ainda não possuem causas declaradas. Não se sabe porque minha mãe teve essas complicações. Minha mãe não toma bebida alcóolica nenhuma, nunca fumou, não usa nenhum medicamento, mas adora uns docinhos e uns salgadinhos, coisa que durante a gravidez foi abolida do seu cardápio. Mas isso ainda não explica a síndrome. E por isso o sentimento de culpa ainda mora no coração da minha mãe.

Eu fui levada para a UTI e minha mãe ainda permaneceu em observação, correndo o risco de ir pra UTI também. Mas não foi preciso e 3 dias após o meu nascimento os exames demonstravam que o organismo da minha mãe já tinha reagido. Apenas a pressão arterial continuava alta, só baixando um mês depois.

Hoje minha mãe não tem nenhuma sequela da gravidez.

domingo, 9 de maio de 2010

Dia das mães


No dia 9 de maio minha mãe já era mãe de fato, pois eu fui apressadinha e nasci no dia 2. E esse dia era apenas 3 dias antes do aniversário da minha mãe. Então para a visita, vieram juntos meu pai e minha mãe. Minha mãe quase não acreditou quando me viu! Eu estava de fralda e laço no cabelo! Que presente para a minha mãe. Ela me filmava e ainda não podia me tocar, eu tinha apenas uma semana de nascida e era ainda muito frágil. Mas já deixei claro pra ela um sinal da minha força. Enquanto ela me filmava, eu fiz a surpresa de abrir os olhos pra ela. Pela primeira vez, olhei minha mãe e meu pai. Que grande emoção nós três sentimos. Minha mãe conversava comigo e eu arrumei um jeito de mostrar pra ela que eu era forte e sentia a presença dela. E que precisava muito dela ao meu lado, mesmo ela não gostando de me ver sentindo dor por conta das agulhas e dos aparelhos que usava. Mãe, eu preciso de você! E você mãe, sentia às vezes a perna bambear, mas permanecia do meu lado. E sei que estará do meu lado sempre!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A primeira visita da minha mãe



Logo que nasci, meu pai acompanhou a ambulância até a UTI Neonatal. E lá me viu bem de pertinho, muito pequena, cheia de aparelhos e fios conectados. Tentou contar pra minha mãe o que viu. Mas não conseguiu expressar em palavras. Levou fotos e filmagens para ela no hospital, mas mesmo vendo era difícil acreditar. Ela só teve alta três dias depois do meu nascimento, porque insistiu muitoooo para me ver, apesar da sua pressão ainda estar muito alta. Prometeu a Dra. Consuelo que iria se comportar bem, mas que queria muito me ver. E foi a primeira vez que nos vimos. Ela chorou muito, de muita emoção e medo. Eu era muito pequena e frágil, estava dentro de uma caixinha de vidro toda enfumaçada, com um luz forte sobre mim, meus olhos tapados para proteger da luz, minha pele era brilhosa. Tudo em volta de mim apitava o que deixava minha mãe ainda mais assustada. Mas ela sabia que Deus me queria muito.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Meu registro


Logo que nasci meu pai tratou logo de pegar o papelzinho amarelo, onde tinha a marca do meu pezinho, pra me registrar. Meu nome já estava escolhido: Aymee Ressiguier de Queiroz. E lá foi meu pai até o cartório. Estava ele com o papelzinho em mãos quando viu um outro pai, com outro papelzinho amarelo, e um pezão enormeeee marcado. rs... Foi quando meu pai percebeu o quanto o meu pé era pequenininho.

domingo, 2 de maio de 2010


Nasci no dia 2 de maio de 2010, às 10h52 da manhã. Precisei nascer de cesária, pois minha mãe teve pré-eclampsia grave, evoluindo para síndrome de hellp, o que colocava nossas vidas em risco. Tinha apenas 26 semanas de gestação e por isso nasci bem pequena, com 710 gramas, e 31 cm, pelas mãos de Dra. Consuelo. Perdi um pouco de peso quando nasci, e fui considerada uma prematura extrema, um bebezinho grave. Mas minha mãe e meu pai me entregaram nas mãos de Papai do Céu um pouco antes de eu nascer. Então já nasci em Seu colo e lá eu já estava segura. Fui levada assim que nasci para uma UTI Neonatal, a Nicola Albano, para ser muito bem cuidada.