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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Quem precisa de um laço?

No dia das mães, quando cheguei para te ver, você estava com um mini laço no cabelo e me emocionei muito em te ver assim, toda enfeitadinha. Depois disso os laços não foram mais colocados, com a justificativa que você teria apenas o "necessário", e que você não precisava de laço. O seu laço no dia das mãe "foi apenas uma graça de uma das enfermeiras". 

E quem precisa de um laço?

Talvez essa enfermeira, que eu nunca descobri quem foi pois as rígidas regras da uti não nos permitem perguntar muito, achou que você precisasse de um laço meu amor, não porque esse laço faria você respirar melhor ou melhorar sua anemia, mas porque esse lado traria um pouco de alegria para mim, essa mãe que está com o coração esmagado por te ver sofrer tanto! E talvez essa alegria poderia de alguma forma ser transmitida a você.
Talvez eu, sua mãe, achasse que você precisasse de um laço porque é uma forma de te arrumar, de te enfeitar, mesmo que minimamente, já que a mãe não pode te pegar no colo nem trocar suas fraldas.
Você não precisa de um laço? Realmente, a mãe pode concordar que talvez você não precise de um laço, mas talvez a mãe precise colocar um laço em você, porque da maneira que você é ainda é minha filha. E toda mãe deve querer sim enfeitar sua filhinha, sua bonequinha, sua princesa! E eu quero enfeitar você.
Então a mãe pede a algumas enfermeiras para te colocarem um laço para te fotografar. Mesmo "não sendo permitido", algumas enfermeiras sabem mais do que furar sua veia e limpar sua encubadora. Algumas sabem ouvir um coração de mãe.
E para aquelas que não permitem, a mãe sente muito, mas ignora. Você é mais que isso, e a mãe só tem que se preocupar com você agora.
E haja laço para te enfeitar...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Paz de Cristo...

Não é fácil ver sua dor minha filha. Claro que dói muito em nós cada agulhada que você recebe, ver esses tubos em sua boca, esparadrapo pelo seu rosto, ver você amarrada, desconfortável, dolorida. E dói ainda mais não poder te dar um colo, um beijo, um afago. Dói saber que você não consegue ainda respirar sozinha, se alimentar sozinha. Dá medo sim. Medo do futuro, das incertezas. Medo de você não ser feliz. Medo da dor aumentar ainda mais.
As regras da UTI são muito rígidas e dói também essa frieza. Essa distância entre nós, essa caixinha de vidro que nos separa. Separa você do mundo, da sua casa, da sua família.
Mamãe está preparando a sua casa para recebê-la, mesmo sabendo que ainda pode demorar muito pra você estar aqui. Cada enfeite, cada brinquedo, cada roupa que mamãe traz pra casa parece tornar sua chegada mais perto. E não duvide meu amor, cada dia que passa é apenas menos um dia de distância entre nós.
E por isso encontramos a Paz de Cristo. Que até hoje eu acho que nunca a tinha encontrado, e de repente, meu amor, nesse momento de grande dor me deparo com ela. A Paz de Cristo, que não nos livra da dor, mas que acalma nosso coração para dizer que se estamos com Ele, tudo ficará bem, mesmo que esse bem ainda seja mal para esse mundo. A Paz de Cristo que nos fala que nada justifica a sua dor. Mas já que ela existe, nos resta enfrentar, com toda força, porque só assim é que ela vai embora mais rápido. A Paz de Cristo que nos faz sorrir quando alguém pergunta por você, e faz a mamãe dizer sempre: "É a coisa mais linda do mundo!". A Paz de Cristo que nos faz levantar todos os dias, orar, tomar um banho, e ir pra UTI, pra olhar pra você, pra cantar pra você, porque apenas isso é permitido para que você não se sinta sozinha. A Paz de Cristo que faz a nós, mães de UTI, conversar na recepção sobre nossos filhos e contar as suas "travessuras" como se estivéssemos numa praça florida, com suas crias correndo de um lado para outro.
A Paz de Cristo que nos faz sorrir hoje, mas principalmente acreditar que amanhã será diferente.
E muito melhor!

sábado, 5 de junho de 2010

Aprendendo a tocar você....


Quando você nasceu, pela sua fragilidade, a mãe não podia te tocar. Te toquei uma única vez, no dia das mãe, rapidamente. Mas não podia te tocar todos os dias.
Agora, depois de um mês, já posso. Mas sua aparência ainda frágil, me coloca no espaço quando te toco. Tenho medo da minha pele irritar você, de te machucar, de te incomodar. Sua pele é muito fina. Dá pra ver veias sobre ela e confesso que mesmo querendo muito, ainda tenho medo de tocar você.


Percebendo isso, Dra. Patrícia chegou perto e falou, "mãe, já fez carinho na sua filha?" Eu estava lá, com as mãos para dentro da encubadora, mas o medo ainda grande me impedia de tocar em você. Ai eu, "ainda acho ela muito frágil". E ela: "Mas pode fazer carinho mãe, ela vai adorar receber carinho seu." E foi assim, que ela abriu a encubadora, e fez carinho em você. Você se esticava e parecia gostar muito mesmo do cafuné. E ela continuou: "Vê mãe, como ela gosta do meu carinho. Gostará ainda mais do seu.".


E aos poucos ia tomando coragem, e a cada dia que passava a mãe conseguia avançar um pouco mais em tocar você. Segurava sua mãozinha, seu pezinho, o topo da sua cabeça... E assim, aos poucos, vou conhecendo um pouco mais de você, mas principalmente, conhecendo um pouco mais de mim.



O pai ainda não aprendeu a te tocar.Mas não é por falta de amor e de carinho não meu amor. O pai te ama muito, e por isso acaha que suas mãos mais brutas podem machucar você.... Mas sei que você vai saber ensinar a ele direitinho a te dar muito carinho.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Meu primeiro Mesniversário!


No meu primeiro mês, eu já tinha crescido um pouco. Ainda tomava antibióticos, e meu pulmão não desenvolvia como os médicos gostariam. Mas eu já conseguia me alimentar de algumas gotas de leite por dia.
Minha mãe conseguia tirar um pouco de leite materno para me alimentar, mas não tinha muito, pois os seios não chegaram a produzir leite para o meu nascimento. Ela tem tomado remédios e tentando estimular a produção para que eu possa tomar mais leite seu.
Ainda uso a fralda dobrada porque ainda sou muito pequena. Meu cabelo precisou ser raspado para que eu tomasse medicamento pela veia.


Todos esses aparelhos fazem minha mãe e meu pai sofrerem muito por verem minha dor, mas é a única opção para a minha sobrevivência.


E eu tento sempre mostrar para eles o tamanho da minha força. Numa troca de fralda enquanto minha mãe me fotografava eu me estiquei todinha so pra mostrar o quanto eu to crescendo.


E já aprendi até a rezar. Mamãe rezou junto comigo.

Papai do céu, cuida de mim! Cuida da minha saúde, cuide do meu pulmãozinho pra que eu possa respirar sozinha, me segura em Suas mãos e me deixe recuperar traquila na Sua presença. Papai e mamãe estão me esperando em casa... Amém!